Uma pequena homenagem no Dia Internacional do Livro Infantil

03C05969-e1427913205479Serei bem subjetivo. Mas para falar de um objeto. Não um qualquer, claro. Qual o problema com a maioria dos objetos? É que eles são meio limitados. Uma cadeira é feita para sentar. Uma mesa para comer, conversar ou estudar. Ou desenhar. Uma geladeira para gelar. Um fogão para fogar. Até a televisão, que é um objeto mais complicado, muitas vezes é feita para…hipnotizar. (Tudo bem, uma mesa pode virar uma cabana e a cadeira uma torre no meio da selva, mas essa é outra história).

Mas e o livro? O livro é um objeto mágico. Ele é feito para encantar. Abrir mundos. Fechar mundos que incomodam ao redor. Criar bilhões de novas conexões na nossa cabeça. Criar uma solidão gostosa, autossuficiente. E que nem é solidão, porque, na verdade, todo livro é um diálogo com o autor e suas ideias. E seus personagens. E as ideias dos personagens.

Com o livro infantil, tudo isso é muito mais forte. Tudo bem, estou sendo subjetivo, mas vou dar um exemplo objetivo. Tenho duas filhas de dois anos. Como as duas têm a mesma idade, são gêmeas, mas não idênticas. Então elas têm gostos diferentes. Mas quando eu apareço, elas gritam: Mochila! Mochila! Isso porque eu sempre trago um livro novo na mochila. E aí é só começar a puxar o zíper que elas gritam: Ivo! Ivo!, que é o nome que elas dão para livro.

E então a tal mágica se faz. De várias maneiras. Há o suspense de virar a página: o que estará do outro lado? Há o deslumbramento com as imagens: o que serão? Há a satisfação de reconhecer algumas imagens. Há a impaciência entusiasmada com a história: o que vai acontecer? Há, enfim, a excitação com tudo isso. E mais: as cores, os bichos, as letras em todas as formas, o tamanho da página, as abinhas que dá para puxar e mostram outras figuras. É tudo novo! É tudo misterioso! E muda toda vez que a gente lê!

Dora e Helena gostam de ver os livros de dois jeitos: 1) do jeito supersônico, que é virando as páginas correndo, amassando e fazendo, dobras, e batendo a capa de trás com força: Acabou! Que satisfação! Um mundo inteiro em três segundos! 2) do jeito colinho. Esse é mais calmo e produtivo. Acontece naquela hora lusco-fusco, em que o soninho começa a aparecer. E aí o gostoso é ouvir a voz do papai ou da mamãe ou da vovó, aquela voz confortável e segura, que explica tudo, aumenta um ponto no conto, adapta pra vida que a gente conhece, torna mais engraçado ou menos triste. Embala. Pergunta e diz, como prêmio para a resposta: Muito bem! Nesse clima de Terra do Nunca, é deixar a história entrar na cabeça, abrir espaço para um monte de coisas novas, se esparramar, se ligar a outras associações, às primeiras memórias, estimular a criação de novas histórias e memórias….

Tem algo melhor?

Resposta fácil: Não!

Por: Brasileiros.com

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *