Respeito, paz e necessidade de avanços marcam Dia Mundial da Diversidade Cultural

22mai2015_cerimônia diversidade 2Um momento de celebração, respeito às diversas manifestações culturais e luta contra preconceito e intolerância religiosa. Assim foi o Dia Mundial da Diversidade Cultural para o Diálogo e o Desenvolvimento, comemorado durante todo o dia de quinta-feira (21/5), no Memorial dos Povos Indígenas, em Brasília.
O evento, que contou com a participação do ministro da Cultura, Juca Ferreira, também lembrou os dez anos da criação, em outubro de 2005, pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), da Convenção sobre a Proteção e Promoção da Diversidade das Expressões Culturais.
Entre os objetivos da Convenção está o de promover as diversas expressões culturais. O Brasil foi não apenas signatário, mas exerceu importante papel, durante a gestão do então ministro da Cultura, Gilberto Gil, para andamento e concretização do acordo.
Avanços necessários
Durante o evento, o ministro da Cultura, Juca Ferreira, salientou a necessidade de haver um empenho maior na vitalização da Convenção, que poderia avançar, por exemplo, no sentido de reconhecer a propriedade intelectual. “É preciso também empenho do governo brasileiro para que isso ocorra”, destacou. Ele reforçou, ainda, a importância da luta contra o preconceito e intolerância religiosa, considerada por ele “uma doença social”.
“É preciso ver que temos muito a construir. As forças do conflito e da discriminação com mulheres e negros cresceram muito. Teremos que pactuar um novo ciclo de desenvolvimento, incorporar a diversidade como patrimônio da nação e construir um ambiente favorável a todos”, observou.
Juca Ferreira também falou sobre a importância do Dia Mundial da Diversidade Cultural e do acordo internacional. “Cada vez que morre uma língua, que morre um povo, morre parte da humanidade”, afirmou. “É preciso zelar pela formas de existências e de diferentes visões como patrimônio da terra”, completou.
Representantes dos povos ciganos também participaram das comemorações (Foto: Oliver Kornblithh)

A secretária da Cidadania e da Diversidade Cultural do Ministério da Cultura, Ivana Bentes, destacou que ainda é um “desafio transformar a Convenção em algo vivo e em algo que possa ser apropriado como um instrumento de luta”. Ela lembrou, ainda, que o Ministério da Cultura participou ativamente para a criação da Convenção.

Discriminação
Outro tema levantado por Ivana foi a importância da diversidade no país, que se transformou em um cartão postal para o mundo e uma commodity de exportação que precisa reverter benefícios não apenas para fora, mas para os próprios grupos quilombolas, ciganos e indígenas, por exemplo. Além disso, foi enfática ao defender a convivência harmônica.”A diversidade não pode gerar adversidade”, frisou.
Ainda em relação à discriminação e intolerância religiosa, Railda Rocha Pitta, mais conhecida como a mãe Railda de Oxum,  enfatizou, durante a cerimônia, o papel da educação para o desenvolvimento de uma cultura de paz e de respeito. “Apenas o conhecimento é capaz de libertar as pessoas de ideias preconceituosas”, pontuou.
O papel da Unesco na promoção da paz também foi abordado. “A Unesco tem muitos objetivos, mas apenas uma missão: construir a cultura de paz entre os povos do mundo”, afirmou a diretora da área programática da organização, Marlova Jovchelovitch Noleto.  “Nossa parceria com Brasil é muito forte e se amplia a cada dia porque este é um pais em que a riqueza do seu povo e de suas expressões culturais possibilita um compromisso muito sério em torno da diversidade cultural”, completou.
Demandas
Álvaro Tukano e Benki Ashaninka, representantes de povos indígenas, ressaltaram a importância do apoio do governo na demarcação de terras indígenas e no respeito ao meio ambiente e à cultura indígena.
“Vivemos num pais rico e milionário de tudo que precisamos, mas se continuarmos assim  (com desmatamentos e desrespeitos), vamos viver em uma terra pobre e morta, porque estamos colhendo nosso próprio fim”, alertou Benki. “Temos uma luta grande e não é com guerra que vêm as conquistas, mas com entendimento mútuo”, completou.
Álvaro Tukano, diretor do Memorial dos Povos Indígenas, falou sobre o respeito às diferenças. “Somos diferentes, mas somos também irmãos. É importante mantermos nossa identidade, por isso temos que falar nossas línguas, para manter a diversidade”, afirmou.
Cecília Coelho
Assessoria de Comunicação
Ministério da Cultura

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