Famílias vivem de forma degradante em lixões de cidades do interior de AL

Lixão de Traipu/Credito: Jônatas Pedro
Lixão de Traipu/Credito: Jônatas Pedro.

No município de Paripueira, no Litoral Norte, a busca solitária da catadora Maria José dos Santos é pelos objetos que ajudam a sustentar a família. “Recolhemos vidros e todo material reciclável que é plástico. Aqui também encontramos roupas, calçados e comida”, conta.

Ela é uma das moradoras do lixão onde atualmente vivem oito famílias. Gente trabalhadora e esquecida, como a catadora de lixo Sueli Alves. “Aqui nós vivemos como quem não existe. Quem trabalha no lixo é sempre assim. Assim, só pedimos força a Deus para ganhar o pão de cada dia”, diz.

De acordo com o que estabelece uma lei federal, os lixões já não deveriam mais existir. Só que em vários municípios de Alagoas essa imagem suja e desumana ainda não tem data para acabar. No município de Traipu, no Agreste, entre o amontoado de lixo e catadores sem equipamentos de proteção estão também crianças. O lixão do município fica a menos de 3 km do centro da cidade, bem nos fundos de um conjunto residencial que foi invadido por famílias de desabrigados há cerca de um ano. No local, as crianças vivem em meio a montanhas de lixo sem o mínimo cuidado.

O caminhão que faz o despejo dos resíduos recebe o auxílio dos catadores. Como não há fiscalização do que vem parar no local, o lixão torna-se um grave problema de saúde pública. Na oportunidade, a reportagem da TV Gazeta flagrou lixo hospitalar no local. Material contaminado que deveria ser recolhido nas unidades de saúde e incinerado como prevê a lei. Ainda em Traipu a equipe de reportagem do Site Traipu Notícia flagrou o momento em que crianças trafegavam no lixão, correndo quando avistaram o carro do Conselho Tutelar.

“É comum as crianças chegarem em casa com seringa, papel com sangue e tudo que é material hospitalar que são jogados aqui”, expõe a dona de casa Liliane Matos dos Santos. A imagem de lixo hospitalar descartados de forma inadequada se repete em Murici, na região da zona da Mata. Na ocasião, a reportagem flagrou a presença de tubos de ensaio cheios de sangue e outros materiais hospitalares que são manipulados sem nenhum cuidado ou proteção pelos catadores.

O lixão da cidade de Murici fica perto de uma pedreira e de um conjunto residencial. Os catadores passam o dia inteiro no local, e o pior, como não recebem assistência, muitas vezes se alimentam do que encontram no lixo. Como a refeição da tarde, que foi feita pelos catadores com o material achado no lixo: salame e banana verde colhida perto do local.

Providências
As prefeituras explicaram que existem projetos de desativação dos lixões em parceria com outros municípios, uma espécie de consórcio, mas em nenhuma das cidades existe previsão para a instalação dos aterros sanitários.

Sobre o lixo hospitalar, a prefeita de Traipu, Maria da Conceição Teixeira, falou por telefone que não sabia como era o descarte no município. “Eu não tenho conhecimento de onde está sendo jogado esse lixo agora no momento. Se está sendo jogado lá eu vou procurar me inteirar. A urgência que se tem agora é tirar essas crianças de lá para evitar o trabalho infantil, já que elas ficam o dia todo por lá catando e juntando lixo. Vamos levá-las para estudar na creche, onde devem entrar pela manhã e só sair a tarde. Quanto a saúde, a gente vai tentar fazer um trabalho mais intensivo”, disse a prefeita.

Já em Murici, o secretário de Saúde, José Medeiros, explicou que o contrato com a empresa que recolhe o lixo hospitalar está vencido, mas garantiu que o lixo contaminado encontrado no lixão não foi despejado pelos caminhões da prefeitura. “Há possibilidade e há informações de que outros municípios estejam desovando seu material no nosso lixão e sobre isso nós vamos ter que tomar providências urgentes”, expôs.

A reportagem também esteve na prefeitura de Paripueira, mas não obteve êxito porque não havia mais expediente.

Por: Redação com G1 Alagoas

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