Terapeutas ocupacionais ajudam no desenvolvimento de crianças com microcefalia

Quando por algum motivo a pessoa se torna incapaz de realizar as atividades mais básicas, o terapeuta ocupacional deve ser consultado para devolver independência ao paciente ou diminuir as limitações motoras que foram impostas por acidente, problemas de saúde ou emocionais.

“O nosso trabalho é fazer com que esse paciente que está impossibilitado de realizar suas atividades de rotina, como escovar os dentes, levar o alimento a boca, ou até mesmo dirigir um automóvel, possam ter restauradas as suas capacidades funcionais”, explicou a terapeuta ocupacional e coordenadora do Centro Especializado em Reabilitação (CER) da Universidade de Ciências da Saúde de Alagoas (Uncisal), Janaina Cajueiro formada em 2002 na própria Uncisal.

“A terapia ocupacional é importante por envolver diversas áreas tanto para a saúde mental do paciente como também se envolve com a área social, ao devolver o cidadão à sociedade. Essa é a parte mais gratificante do nosso trabalho, ver que os pacientes estão retornando as atividades diárias de maneira independente, mesmo nas vezes em que eles não retornam com 100% das condições que tinham antes, mas conseguem voltar a sua rotina assumindo as adaptações que precisam ser realizadas para essa nova etapa de vida”.

A coordenadora ainda salienta que o trabalho desempenhado pelo terapeuta é mais exitoso quando o tratamento é feito em conjunto com o maior número de profissionais possíveis. “O terapeuta ocupacional faz parte de uma equipe de reabilitação multiprofissional, sempre acompanhado por fisioterapeutas, fonoaudiólogos e várias outras áreas da saúde, com o foco de devolver aos pacientes a independência de poder realizar todas as atividades da vida diária, ou as atividades realizadas no trabalho, na escola, e as atividades de lazer”, finalizou.

MICROCEFALIA

Para obter os resultados esperados o terapeuta ocupacional promove algumas adaptações nos objetos de casa, nos móveis, faz mudanças tanto no ambiente doméstico como no local de trabalho, além de oferecer um treinamento funcional para o desenvolvimento das atividades diária e orientar os familiares do paciente. Em casos específicos o profissional pode prescrever a confecção de órteses, aparelhos ortopédicos utilizados para corrigir ou melhorar o movimento das mãos, joelhos, cotovelos e outras partes articuladas do corpo.

Outro público que é atendido pelos profissionais da terapia ocupacional são aqueles pacientes que nasceram com algum tipo de necessidade especial, entre eles estão as crianças que nasceram com microcefalia e precisam de todo o tratamento necessário para conseguir se desenvolver da melhor maneira possível.

Esse é o caso da pequena Isla Gabrielly de apenas 9 meses de idade que faz o tratamento com a terapeuta ocupacional do CER da Uncisal Charlene Alexandra, formada pela Uncisal em 2004 e que ao longo dos anos acabou se apaixonando pela área infantil.

“As atividades desenvolvidas com ela envolvem estimulação visual, o que ajudou no tratamento da alteração visual que ela possui. Também incentivamos a função manual com a estimulação tátil. Pelas alterações motoras que ela ainda apresentava, como dificuldade que existia em abrir as mãos para que a Isla também tenha uma maior interação com o ambiente”, destacou a terapeuta.

Giovanna Perreira, 18, mãe da pequena Isla, mora em Arapiraca. Ela vem toda a semana para fazer o tratamento no CER da Uncisal e contou como está sendo o desenvolvimento do bebê que iniciou o tratamento há 4 meses. “A Isla começou a fazer a terapia com 5 meses de idade e era uma criança muito irritada quando iniciou as atividades na Terapia Ocupacional, obtivemos alguns ganhos como uma melhora com o pescoço mais firme. Ela já consegue abrir mais as mãos, sorrir e tolera o toque das pessoas”.

“Outro grande avanço com a terapia foi com a estimulação visual, agora ela tem uma interação melhor com o ambiente, a Isla acompanha os objetos, olha para as pessoas, o que antes ela não conseguia fazer. Os movimentos dos braços também estão melhorando agora com a estimulação tátil ela tem mais força nas mãos e já consegue levar as mãozinhas até a boca”, relatou a mãe.

GRATIDÃO

A terapeuta ocupacional da Uncisal ainda falou sobre a gratidão em poder ajudar tanto os bebês como as mães. “O que tenho mais satisfação é poder ver a evolução dessas crianças mesmo com apenas uma semana de atividades. É poder ver nos olhos das mães – que às vezes chegam totalmente desacreditadas, sem esperança de que seus filhos terão alguma evolução – a felicidade que elas sentem quando percebem que o bebê está se desenvolvendo, mesmo sendo algo simples como quando a criança tenta pegar um brinquedo ou levar seu alimento a boca, sorrindo de alegria por conseguir brincar”.

“Esses momentos são gratificantes, porque não adianta apenas que o profissional de saúde veja a evolução do paciente. Eu considero muito mais importante que a família perceba isso, já que são eles que estarão diariamente com essa criança, e quando conseguimos mostrar aos pais que seus filhos têm a possibilidade de se desenvolverem e encontrarem um papel na sociedade, para mim fica o sentimento de que estamos cumprindo nosso dever com a criança, com a família e com minha profissão”, finalizou.

ATENDIMENTOS

Os alagoanos podem encontrar os serviços dos terapeutas ocupacionais nos Centros Especializados em Reabilitação, sendo sete na capital, Maceió: Associação dos Amigos e Pais de Pessoas Especiais (AAPPE), Associação dos Deficientes Físicos de Alagoas (Adefal), Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae), Pestalozzi, Centro Especializado em Reabilitação da Uncisal, PAM Salgadinho e Hospital Universitário. E três no agreste alagoano, em Arapiraca: Apae, Centro de Medicina Física e Reabilitação de Arapiraca (Cemfra) e Pestalozzi de Arapiraca.

Por: Agência Alagoas

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *